AÇÕES DA PASTORAL SOCIAL, EM TEMPO DE PANDEMIA, NA PARÓQUIA SANTA TERESINHA DE LISIEUX

 

 

 

Para nós, Missionários Passionistas, homens com memória, vale recordar o princípio teológico em 1 Cor 13, 13. Com as palavras da tradução Ferreira de Almeida, segue: “agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas a maior destas é a caridade”. O amor é a decisão que traduz as nossas ações. Sendo uma decisão nossa, esperamos que este texto te ajude a refletir sobre o sofrimento humano presente na pandemia. Um campo significativo em nossa experiência missionária; principalmente de nosso seguimento a Jesus de Nazaré.

 

Objetivamos neste opúsculo descrever a atuação da pastoral social, em tempo de pandemia, na Paróquia Santa Teresinha de Lisiuex. Esta paróquia está situada na cidade de Colombo, estado do Paraná – Brasil. O método utilizado nesta ocasião é aquele que sustenta nosso ser Igreja: ver; julgar e agir. Convém dizer que diante desse método comum em nossa atuação pastoral, uma fenomenologia poderia, também, ser útil para que os nossos olhos se abram ante os clamores dos mais necessitados. Não falamos de uma fenomenologia genuinamente filosófica, mas de um método utilizado na religiologia e que tem sua raiz em Merleau-Ponty (1945, p.1), embora este seja considerado na filosofia como um teórico/filósofo. De Merleau-Ponty, em sua obra Phénomenologie de la perception, é essa a proposição que julgamos basilar: “[...] refletir sobre um irrefletido.”

 

Ante as mídias sociais, estamos escutando que o mundo está vivenciando uma situação inesperada. Cientificamente falando, não se sabe ao certo sua gênese, neste momento. Apesar disso, sabe-se que o tempo em pandemia está nos ajudando a tratar de algo irrefletido pela sociedade do consumo e do inerente ao capital. Falamos de um ‘choque de realidade’. Diante desse aspecto ou cedemos aos nossos sentidos ou já não podemos mais ser considerados da mesma espécie, já em extinção, a saber: homo sapiens. O ser que se apresenta, enquanto fenômeno, são hominídeos machucados pelo egoísmo daqueles que nesta vida algo podem, por causa do capital.

 

Estamos falando do poder de partilhar, de ajudar, de contribuir com aqueles que menos tem. Nossa pergunta central é: qual hominídeo está deixando seu conforto para ajudar ao que não tem? Será as propagandas encontradas em mídias sociais verdadeiras quando ao princípio em Coríntios? O método julgar permite conciliar o profetismo. Existem interesses pessoais nestes stands! Com isso, uma preocupação ao receber doações precisa ser considerada. Apesar deste risco, faz-se necessário acreditar e acolher as mãos que não sabemos qual intenção tem, pois logo teremos eleições municipais. Sendo Igreja, nota-se a necessidade mais do que nunca de voltar ao nosso pacto: preferência pelos pobres.

 

Em se tratando da preferência pelos pobres, em História de uma Alma, rezamos um aspecto místico de Santa Teresinha que referencia o modo como estamos agindo em nossa paróquia.

 

 

Como poderia, então, ‘voar e repousar?’ Como pode unir-se intimamente a Deus, um coração entregue à afeição das criaturas?... Tenho, o sentimento de que não é possível. Sem beber da taça envenenada do amor por demais ardente das criaturas, sinto em mim que me não é possível estar equivocada. Vi tantas almas que, seduzidas por essa luz falsa, esvoaçaram como míseras mariposas e queimaram as asas. Depois, volveram-se à verdadeira e meiga luz do amor. Esta lhes deu novas asas, mais brilhantes e mais ligeiras, a fim de poderem voar para junto de Jesus, Fogo Divino, ‘que arde sem se consumir’. (SANTA TERESINHA, História de uma Alma, 13-14)

 

 

A ação social da Igreja se intensificou, em meio à pandemia. O fogo divino agora arde na atuação dos nossos líderes. Falamos de uma pastoral orgânica. Essa pastoral pode ser concebida depois que passamos a entender a seguinte realidade observada:

:

 

 

ATUALMENTE

Eu, pessoa humana, não posso ir à Igreja. O que chega a mim é Igreja? Eu sinto a presença de Deus em o assistencialismo que recebo?

 

 

ANTES

Eu, pessoa humana, ia a Igreja.

                                                                                                                                      

 

 

 

Mais que a assistência, a pessoa humana necessita do ‘fogo’ que movimenta a pastoral orgânica. A escolha pode ser definida como afeição ao próximo e um olhar empático a pessoa humana. Este tipo de pastoral tem uma ordem lógica que pode ser descrita da seguinte forma: primeiro a conversão do coração de quem está atuando, acolhendo e se solidarizando. Depois, a pessoa que é acolhida pode sentir a vida da Igreja, o seu agir. Assim, conferimos que as asas dos líderes que sempre desejaram suas vanglórias estão com as mesmas queimadas. Para se recompor é preciso a conversão e optar por um agir orgânico e que faz sentido quando vivido para amar.

 

 

Figura 1 - Pastoral em Tempo de Pandemia.