São Paulo da Cruz, seráfico fundador dos Missionários Passionistas

 

 

Alguns Dados da Vida de São Paulo da Cruz

 

Autor: Ronalde Caique (Postulante Passionista)

 

  1. O Mundo de Paulo da Cruz

Paulo Danei (São Paulo da Cruz) nasce no dia 03 de janeiro de 1694, em Ovado, no Piemonte, Itália. De 15 irmãos, destes sobrevivem 5: Catarina, João Batista, Antônio, José e Tereza. Sendo que Paulo e mais dois dos seus irmãos serão padres, e os demais permanecerão solteiros.

  • Paulo foi filho de comerciante, andou por vários vilarejos do Norte e centro da Itália.
  • A família é um ponto forte onde existe grande solidariedade entre os parentes.
  • As trocas frequentes de lugares dão uma visão mais ampla e uma abertura maior para pessoas diferentes.
  • As perdas frequentes dos seus, fazem-no olhar a vida com mais dureza, e isso o leva a aprofundar-se na busca de entender o sentido do sofrimento.
  • Até os 25 anos Paulo tem boa saúde. Aos 33 anos contrai a malária e recai nela. Aos 47 anos sofre de ciática (dores lombares). Aos 50 desenvolve palpitações no coração. Ao envelhecer, vai ficando surdo, com vertigens e cabeça pesada, inflamações nos olhos, falta de apetite e podagra (inchaço). Aos 73 anos pouco caminhará.

Mesmo em meio a todas estas fragilidades, Paulo conserva uma boa memória e uma inteligência crítica. Tem um caráter inflamável, é compassivo com os sinceros e reconhecedores de suas culpas, não suporta fingidos. Nos momentos de alegria é afável com todas as classes e pessoas, e agradece tudo que recebe, a sua austeridade se transforma em gentileza.

  1. A Descoberta da Vocação

2.1- A Conversão:

Converte-se em 1713 aos 19 anos, ao ouvir um simples sermão de um pároco, onde Paulo descobre a grandeza de um Deus e a sua insignificância. A partir desse momento, aumenta o tempo de oração e o número de penitencias, continua vivendo com a família, mas, vive quase como monge. Depois da experiência vivida com a bondade de Deus, Paulo muda o seu conceito de Deus, de si mesmo, dos outros e do mundo.

2.2- Desejo do Martírio: a Cruzada: 1715-1716

Em maio de 1715, convidam-se os cristãos a se alistarem, como cruzados, contra os turcos, sob a direção de Veneza. Paulo, no fervor de sua devoção e querendo dar a vida pela fé, se alista em Crema. No dia 20 de fevereiro de 1716, reza diante do Santíssimo e reconhece não ser a esta a sua vocação.

O desejo do martírio o acompanhará por longos anos. De tal forma que nossa espiritualidade é martirial. Deseja morrer pela Eucaristia, pelos pecadores, pela Igreja, pelo Reino. Sua vida é um dom. Ele deseja dar tudo o que tem pelo Reino.

2.3- Primeira Inspiração: 1717

De passagem por Genova, avista uma pequena igreja, no alto do monte (Madona del Grazzo), em Sestri, sente um grande desejo de viver na solidão, em grande pobreza e fazendo penitencia. Paulo pensa em fazer uma vida penitente e solitária. Quer separar-se do viver comum dos homens para ter uma experiência mais profunda de Deus. É como místico, que Paulo enfrenta a nova situação cultural. No seu interior procura um novo sentido para sua entrega a Deus, pelo bem da humanidade.

2.4- Reunir Companheiros: 1718

Paulo não sabe se vai viver solitário ou se entra numa das ordens existentes.

Neste mesmo período Paulo passa por uma grave enfermidade, esta o leva a uma experiência de deserto e neste momento ele pensa em desistir de tudo, pois nada mais tinha sentido. Depois desfase-se de tudo que recebeu de herança do padre Cristóforo do qual cuidou até a morte.  Esta experiência marcou profundamente sua vida. Paulo descobre um novo sentido para paixão de Cristo, a sua nova visão do amor de Deus o leva a sentir-se mais livre.

Paulo começa a pensar em reunir companheiros para anunciar a bondade de Deus e promover o santo Temos de Deus. Imagina-se com uma túnica preta, com o nome de Jesus em letras brancas, debaixo de uma cruz também branca.

2.5- A Iluminação Definitiva: 1720

No verão de 1720, no tempo em que se colhia o trigo, depois de comungar na Igreja dos Capuchinhos, na encruzilhada de retorno á sua casa, Paulo tem uma forte sensação de estar vestido de preto, com o nome de Jesus e a cruz branca no peito. E tem a impressão de ouvir estas palavras: Este é o sinal de quanto deve ser puro e cândido o coração daquele que levar esculpido o nome Santíssimo de Jesus. 

Depois de todas estas experiências, Paulo já tem em mente o seguinte: viver na solidão e pobreza, reunir companheiros e fundar uma Congregação com o nome “os pobres Jesus”. Seu projeto é fazer memória da paixão, como força de transformação do mundo. Acredita que a falta dessa memória é a causa de tantas desgraças. Para Paulo a finalidade da Congregação deveria ser: testemunhar a fé e ensinar a meditar a memória da paixão de Jesus.

2.6- O Discernimento da Vocação

Paulo se abre com pessoas experientes e procura conselhos, de modo particular com os Capuchinhos de Castellazzo onde chega ao bispo Francisco Arborio Gattinara. Este lhe permite uma experiência de eremita, começando com um retiro de 40 dias. No dia 22 de novembro de 1720, vai até Alessandria, onde receberá a túnica do bispo Gattinara. Na mesma noite, começa seu retiro, em Castellazzo. Durante este tempo de retiro, Paulo tem mais clareza sobre sua missão apostólica. E escreve até as regras da nova Congregação.

3- A Consolidação da Vocação

3.1- A Congregação, um Instrumento a Serviço da Igreja

Que pretende Paulo neste momento de sua via?

Pretende defender a igreja e fazer frente a todos os modos de perseguição que ela sofre, e frear o orgulho daqueles que com sua pestífera libertinagem e falsos erros, arruínam o pobre mundo Católico. Trata-se sobretudo de fazer frente a nova mentalidade cultural, que criticava a Igreja, considerando-a obscurantista, retrógada e exploradora dos fiéis.

 De fato, a Igreja precisava de reformas urgentes. Paulo reconhece isso e se propõe ajudar o clero a se renovar, combater os escândalos e etc.

3.2- O Carisma da Congregação

Para responder as necessidades da Igreja, que estava tão necessitada de reformas, Paulo se inspira em reler o discurso de Jesus aos 12 Apóstolos e 72 discípulos, quando os envia em missão. A inspiração está em Mt 10, 5-23: o chamado ao apostolado da pregação do Reino, a missão confiada por Jesus, a pobreza para ter a liberdade na pregação, o levar a paz, o viver de esmolas, o retorno á solidão, a vida comunitária, a fuga dos aplausos, a vida itinerante.

A vida Passionista é uma “vida Apostólica” ou “imitação dos Apóstolos’.

Existe um tripé que norteia a vivencia de um verdadeiro Passionista:

A Solidão: Que se assemelha a retirada dos Apóstolos            com Jesus. Era preciso assimilar o pensamento e a vida de Jesus, para poder anunciá-lo;

A Oração: Não é um simples falar com Deus. Ela é um relacionar-se amoroso, que deve crescer sempre, até mergulhar num abismo sem fundo do mar imenso do amor de Deus;

A Pobreza: Não é um simples despojar-se, mas é estar livre para o apostolado, para partilhar tudo e toda a vida com o próximo, que deve ser levantado;

A Penitencia também vai ajudar o Passionista a cristificar-se numa conversão contínua aos sentimentos e as práticas de Jesus.

 A paixão de Cristo não é um simples recordar as dores físicas, psíquicas e morais de Jesus, mas o jeito de garantir a vida e o remédio de todos males. Por isso somos especialistas em diagnosticar os males do mundo atual. Os males e os sofrimentos do homem de hoje têm um remédio. E nós denunciamos o esquecimento da cruz de Cristo, o verdadeiro remédio dos males. Fazemos MEMÓRIA da Paixão, para que a humanidade experimente a libertação Pascal.

4- A Implantação do Projeto

4.1- Uma Peregrinação Por Ermidas

Paulo inicia sua vida solitária na capela da Santíssima Trindade, fora da cidade de Castellazzo, no início de janeiro de 1721. Já no dia 25 de janeiro, instala-se na Igreja de Santo Estevão, onde já estivera cuidando do padre Cristóforo, seu último Capelão e tio. As suas atividades neste período era a catequese e ensinar a meditar a paixão de Jesus, como também ajudar os párocos na instrução das crianças e outros grupos.

Nesta época, já pensava em reunir companheiros. Por isso, decide pedir a devida licença e vai para Roma, no fim de agosto de 1721. Chega ao palácio do Papa no dia 24 ou 25 de setembro. Não foi recebido. Paulo se sente incrivelmente só.

Depois dessa decepção Paulo vai à Igreja de Santa Maria Maior, onde reencontra a calma e comtempla o fracasso humano da Cruz de Cristo. Diante da Virgem faz um voto de promover, no coração dos fiéis, a devoção a paixão de Jesus Cristo e de esforçar-se em reunir companheiros coma a mesma finalidade.

Em 1724, se instalam na diocese de Dom Cavalieri, em Tróia. Este bispo ajudará Paulo na renovação das regras. Paulo rasga as primeiras regras e reescreve tudo.

4.2- A Licença Oral de Bento XIII: maio de 1725

Com as cartas de recomendação de D. Cavalieri, foi ouvido pelo Papa, após a missa, na Igreja da Vavicella, no dia 21 de maio de 1725. Logo no início de 1726 se instala no recém-inaugurado hospital S. Galicano. Paulo e João são ordenados Presbíteros no dia 7 de junho de 1727, depois de alguns meses de preparação. A ordenação foi concedida com uma condição, que era a permanecer no hospital até o fim da vida. E fizeram um voto neste sentido.

A princípio parece que Paulo desanima de fundar uma Congregação. Porém cuidar dos doentes era algo útil e prático. Pois para ele o esquecimento da paixão se revela também na falta de saúde do nosso povo.

4.3- A Primeira Comunidade no Argentário: 1728

Dispensados do voto, os dois irmãos regressam ao Monte Argentário, com a intenção de reunir companheiros e iniciar a Congregação. Alojam-se na pequena ermida de Santo Antônio. Os primeiros companheiros desanimam. Todos saem.

Em 1733, voltam ao início. Apenas os três irmãos continuam: Paulo, João Batista e Antônio. Este chega a sair e regressar. O primeiro convento fica pronto em 1737. A partir desse momento, a Congregação cresce, atingindo sempre os lugares pobres e afastados. Vai descobrindo seu lugar na Igreja e no mundo.

4.4- Aprovação Pontifícia da Regra: 1741

Só foi aprovada a regra e não a congregação, que Paulo queria com votos solenes. Os Passionistas passam a ser considerados: Pia associação de sacerdotes que vivem em comum, sob a jurisdição do bispo diocesano. Daqui veio costume de nos chamarem de Padre Passionistas.

Depois dos cinco primeiros religiosos professaram. Deixam de ser chamados os “pobres de Jesus” e passam a “ congregação dos mínimos clérigos regulares descalços sob a invocação da S. Cruz e Paixão de Jesus Cristo”. A partir desse momento, as missões se multiplicam e   aceitam-se novos conventos.

4.5- Revisão e Nova Aprovação da Regra: 1746

Os passionistas já estão presentes em vários lugares e cresce o número dos religiosos. Nesta revisão, são introduzidas mudanças na regra: Paula da Cruz nascera pobre e sempre privilegiara os pobres. Decidira a viver na pobreza numa solidariedade que o levou a viver como os pobres. Por isso, sua inspiração inicial era a igualdade total entre os religiosos.

4.6- O Cuidado dos Pobres: 1762-1767

Nesta época há grande fome e carestia na Itália. A situação alimentar é desastrosa. Tudo que sobrava das coletas, deveria ser distribuído aos pobres. Como também os frutos da horta, que não podiam ser vendidos, mas toda sobra devia ser distribuída.

Conta-se que um pobre, após receber a esmola de Paulo, lhe pergunta: você me conhece?

Paulo responde: Claro que conheço. Você representa a Jesus Cristo. O pobre lhe sorriu e disse: Represento Jesus Cristo? E se fosse Jesus Cristo?! Paulo se comove e estremece. Pede perdão e lhe acolhe com lágrimas.

A solidariedade para com os pobres é traduzida na prática. Uma prática que diz bem mais que todas as teorias em favor dos pobres. Paulo se identifica com os pobres e assume as lutas e a vida deles.

4.7- Aprova-se a Congregação e Nova Reforma das Regras: 1769

Com a aprovação da congregação tudo se torna mais acessível na vida dos passionistas pois agora podem ordenar clérigos, sem necessidades de outras licenças, a título de mesa comum ou pobreza.

A congregação se torna a pessoa Jurídica. Para isso, deverá novamente se adaptar ao Direito Canônico, devendo possuir bens estáveis. Até esse momento, a Congregação não possuía terras, casas ou bens. Paulo cede novamente, para poder estabelecer com firmeza a Congregação na Igreja do tempo.

Em 1773, os jesuítas serão supressos e o Papa nos cederá a atual casa geral.

4.8- Nova e Última Reforma da Regra: 1775

Pio VI (1775-1799) aprova solenemente a Congregação, no dia 15 de setembro de 1775, com a bula Preaeclara Virtutum Exempla. Dá-se o ultimo retoque, que é hoje a regra inspiracional da congregação, junto com as constituições.

Paulo falece no dia 18 de outubro de 1775, com 81 anos e nove meses de idade. 

5. A Congregação Continua

5.1- Confraria da Paixão

Paulo conta também com os leigos. Em 6 de Abril de 1775, quando funda a confraria, denomina os confrades de PENITENTES DA MADALENA. São penitentes que experimentam a força terapêutica da Paixão. A penitencia deve ser intendida como uma cristificação.

 

5.2- Monjas Passionistas

As monjas foram aprovadas por Clemente XIV (1769-1774), no dia 5 de setembro de1770. A ela se confia uma cristificação mais intensa. Para compor as regras, Paulo recorre a São Francisco de Sales, que escreveu o “Tratado do Amor de Deus” e as regras das religiosas da visitação.

Para a vida delas, Paulo prevê, algumas atividades apostólicas: acolher pessoas para conviverem com elas e se identificarem com Cristo, usar do parlatório para falar do amor de Deus.

5.3- A Família Passionista se Amplia

Hoje, há vários ramos femininos que assumiram um espirito martirial e terapêutico da Paixão de Cristo.

Esse Deus está aqui e quer operar em ti. Coragem, este Deus continua agindo.